Governo de Donald Trump avalia aplicar uma tarifa de 25% a produtos brasileiros, após uma investigação do USTR sobre supostas práticas comerciais desleais do país

AFP / FONTE: DP

Negociadores do governo federal disseram nesta terça-feira (14) ao representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, que a imposição de novas tarifas a produtos brasileiros seria “injusta”, na véspera do fim do prazo para que Washington anuncie sua decisão.

O governo de Donald Trump avalia aplicar uma tarifa de 25% a produtos brasileiros, após uma investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre supostas práticas comerciais desleais do país.

Washington questiona o sistema de pagamentos Pix, que acusa de prejudicar concorrentes americanos, como os cartões de crédito. Além disso, considera aplicar ao Brasil outra tarifa, de 12,5%, por entender que o país falhou no combate ao trabalho forçado, uma reprimenda que também afetaria outros países.

“A aplicação de qualquer sobretaxa se mostra injusta e não é o caminho para que possamos vir a formular um acordo bilateral mutuamente adequado”, afirmaram os negociadores brasileiros, segundo um comunicado conjunto do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, do Ministério das Relações Exteriores e da Assessoria Especial do Presidente da República.

Para os negociadores, “nenhuma das razões apontadas” na investigação da USTR “justificam a aplicação das tarifas recomendadas”, conforme declararam na reunião desta terça-feira, a quinta desde maio.

“Não deixamos de negociar e de conversar até o último momento”, assegurou o chanceler Mauro Vieira, após um encontro em São Paulo com sua colega canadense, Anita Anand.

A disputa comercial ocorre a menos de três meses das eleições presidenciais de outubro, nas quais o presidente Luiz Inácio Lula da Silva buscará a reeleição.

O pré-candidato Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, viajou a Washington na semana passada para pedir ao governo Trump que não imponha novas tarifas, que, a seu ver, favoreceriam a campanha de Lula.

No ano passado, Trump impôs tarifas punitivas ao Brasil ao classificar como uma “caça às bruxas” o julgamento por golpismo de Jair Bolsonaro. A maioria dessas tarifas foi revogada posteriormente. Lula acusa a família Bolsonaro de ter promovido sanções contra o próprio país.

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