Ceará, Bahia e Maranhão lideram a lista dos maiores exportadores para o mercado norte-americano e devem sentir os maiores impactos das tarifas
De Recife / FONTE: ME
O Ceará será o estado nordestino mais impactado pelas novas tarifas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo dados do Comex Stat, plataforma do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o estado respondeu por 52,2% das exportações nordestinas destinadas ao mercado norte-americano, totalizando US$ 557 milhões entre janeiro e junho de 2025.
O tarifaço, que entra em vigor a partir de agosto, deve atingir em cheio a pauta de exportações cearense, principalmente os produtos semiacabados de ferro ou aço, que representam quase metade das vendas externas do estado aos EUA.
Considerando o valor absoluto das exportações para os Estados Unidos, a Bahia ocupa a segunda posição no Nordeste, com US$ 440 milhões exportados no primeiro semestre. Em seguida vêm Maranhão (US$ 335 milhões), Pernambuco (US$ 53,8 milhões) e Alagoas (US$ 44,2 milhões). Na outra ponta, Paraíba, Sergipe e Piauí têm menor volume exportado, mas apresentam alta dependência de produtos específicos, como açúcar, soja e calçados — itens que também podem sofrer com as novas tarifas.
Principais produtos afetados por tarifas
A composição da pauta exportadora revela a vulnerabilidade de determinados setores da economia nordestina. No Ceará, os produtos semiacabados de ferro e aço representam 48% das vendas externas para os EUA. Na Bahia, os principais itens são óleos brutos de petróleo, soja e celulose. Em Alagoas, 81% das exportações estão concentradas em açúcar e melaços.
Já Pernambuco destaca-se pela indústria automotiva, que responde por 27% das vendas ao mercado norte-americano e tende a ser diretamente atingida pelas tarifas impostas por Washington.
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Confira o ranking dos estados do NE mais afetados por tarifas dos EUA
| Estado | Valor exportado (US$ mi) | % para EUA | Principal item exportado pela UF |
| Ceará | 557 | 52,2% | Produtos semiacabados (48%) e Calçados: (9,7%) |
| Bahia | 440 | 8,3% | Petróleo (16%) e soja (16%) |
| Maranhão | 335 | 13,3% | Alumínio (31%) e celulose (15%) |
| Sergipe | 20,2 | 10% | Óleos brutos (55%) e Suco de frutas (34%) |
| Pernambuco | 53,8 | 4,48% | Veículos automotores (27%) |
| Alagoas | 44,2 | 9% | Açúcar e melaços (81%) |
| Rio Grande do Norte | 36,5 | 15,3% | Óleo combustível (55%) e frutas (23%) |
| Piauí | 20,2 | 3,6% | Soja (77%) |
| Paraíba | 9,88 | 12% | Açucar (37%) e calçados (31%) |
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC)
Tarifa de 50% ao Brasil
No início do mês, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou novas tarifas de 50% sobre todos os produtos exportados do Brasil, com início em 1º de agosto. A medida foi comunicada oficialmente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que convocou uma reunião de emergência no Palácio do Planalto para definir a resposta brasileira. Segundo Trump, a decisão se justifica como reação à suposta perseguição política a Jair Bolsonaro e inclui críticas ao Supremo Tribunal Federal por ações contra empresas americanas.
Essas tarifas se somam a encargos já existentes sobre aço e alumínio e poderão ser ampliadas a outros setores caso o Brasil adote medidas retaliatórias. Trump ainda condicionou a suspensão das tarifas à realocação da produção brasileira para território norte-americano. A medida faz parte de uma estratégia mais ampla de “ajuste do comércio justo” que também afeta países como México, Índia e África do Sul, com novas tarifas variando de 10% a 30%.
As tarifas impostas têm potencial de causar fortes impactos sobre o comércio exterior brasileiro, principalmente nos setores agroindustrial, siderúrgico e de mineração. No Nordeste, os estados mais afetados são Bahia, Maranhão e Ceará, devido às exportações de celulose, minério de ferro, frutas frescas e derivados de petróleo. A escalada das tarifas marca um novo capítulo de tensão comercial entre os dois países e levanta preocupações sobre a competitividade brasileira no mercado internacional.