Os Estados podem perder R$ 19 bilhões de vendas que realizavam para os Estados Unidos com o tarifaço de 50% a ser cobrado sobre os produtos brasileiros

Ângela Fernanda Belfort

De Recife angela.belfort@movimentoeconomico.com.br / FONTE: ME

O tarifaço anunciado pelos Estados Unidos, com aumento de 50% nas tarifas de importação a partir de 1º de agosto, pode gerar um prejuízo superior a R$ 19 bilhões para os estados brasileiros com impactos econômicos relevantes e desiguais, segundo um levantamento divulgado nesta terça-feira pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Oito Estados do Nordeste terão uma perda estimada em R$ 1,492 bilhão. Este impacto será maior nos estados mais dependentes do mercado americano, como Ceará, Espírito Santo e Paraíba, onde as exportações para os EUA representam de 20% a quase 50% do total.

Os EUA compraram 44,9% de todas as exportações do Ceará em 2024, principalmente em produtos de metalurgia, alimentos e calçados. A perda do Ceará pode chegar a R$ 190 milhões com as novas tarifas.

Em termos absolutos, as maiores perdas vão ficar com a Bahia, estimadas em R$ 404 milhões, embora aquele Estado destine somente 7,4% das suas exportações aos EUA. Os demais estados do Nordeste terão as seguintes podem perder os seguintes valores: Pernambuco (R$ 377 milhões), Maranhão (R$ 147 milhões), Alagoas (R$ 171 milhões), Paraíba (R$ 101 milhões), Rio Grande do Norte (R$ 40 milhões), Piauí (R$ 32 milhões) e Sergipe (R$ 30 milhões).

Estados com baixa exposição, como Roraima, Acre e Amapá, terão impactos financeiros menores, entre R$ 13 e R$ 36 milhões.

Em 11 estados do Brasil a exportação para os Estados Unidos varia de 10% a 20% de todas as vendas externas. “A imposição do expressivo e injustificável aumento das tarifas americanas traz impactos significativos para a economia nacional, penalizando setores produtivos estratégicos e comprometendo a competitividade das exportações brasileiras. Há estados em que o mercado americano é destino de quase metade das exportações. Os impactos são muito preocupantes”, diz o presidente da CNI, Ricardo Alban.

mpacto do tarifaço em São Paulo

Maior exportador do país, São Paulo pode ser o mais atingido em valores absolutos: R$ 4,4 bilhões. Outros estados do Sul e Sudeste também devem sofrer perdas bilionárias: Rio Grande do Sul (R$ 1,9 bilhão), Paraná (R$ 1,9 bilhão), Santa Catarina (R$ 1,7 bilhão) e Minas Gerais (R$ 1,6 bilhão). O Espírito Santo, cuja pauta exportadora tem forte presença da metalurgia, minerais não metálicos e celulose, pode acumular perdas de R$ 605 milhões.

Na região Norte, o Amazonas, por conta do Polo Industrial de Manaus, pode sofrer uma retração de R$ 1,1 bilhão, enquanto o Pará acumularia perdas de até R$ 973 milhões.

Menos dependente, a região Centro-Oeste também sentirá o impacto. Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul juntos somam perdas superiores a R$ 1,9 bilhão. Mesmo os estados com exportações menos concentradas nos EUA – como Roraima, Mato Grosso e Distrito Federal – também registrarão prejuízos relevantes somando R$ 1,87 bilhão.

As estimativas das perdas foram elaboradas com base nas informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio com os dados de 2024. As perdas podem ocorrer porque com a tarifa de 50% os importadores podem deixar de comprar os produtos brasileiros, como aço, calçados, metalurgia, entre outros.

*Com informações da CNI

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