IPP do IBGE, divulgado nesta sexta-feira, cai pelo décimo mês seguido, puxado por extrativas, alimentos e enfraquecimento do mercado global

MARCELO SAMPAIO por MARCELO SAMPAI / FONTE:

Indústria News

Os preços da indústria nacional recuaram 0,37% em novembro, na comparação com outubro, segundo o Índice de Preços ao Produtor (IPP) divulgado nesta quinta-feira (16) pelo IBGE. O resultado aprofunda um movimento já persistente: é a décima queda mensal consecutiva, após uma sequência de 12 altas entre fevereiro de 2024 e janeiro de 2025.

O principal vetor da retração veio das indústrias extrativas, que registraram forte queda de 3,43%, refletindo sobretudo o recuo dos preços do petróleo, do gás natural e do minério de ferro no mercado internacional. Em 12 meses, o IPP acumula baixa de 3,38%, enquanto no ano o recuo chega a 4,66% — uma inversão relevante frente à alta de 1,25% registrada em novembro de 2024.

Do total de 24 atividades industriais pesquisadas, metade apresentou queda de preços em novembro. As variações mais intensas ocorreram em impressãoindústrias extrativasoutros produtos químicos e papel e celulose, evidenciando que o movimento de queda não está restrito a um único segmento.

Segundo o IBGE, o comportamento das extrativas reflete o cenário externo. O minério de ferro, com peso elevado no índice, sofreu com aumento da oferta global e demanda enfraquecida, especialmente da China. Em contrapartida, houve alta nos preços dos minérios de cobre, acompanhando a valorização do metal na Bolsa de Londres.

Outro fator estrutural por trás da sequência de quedas é o desempenho do setor de alimentos, responsável pelo maior impacto negativo nos indicadores de médio e longo prazo. Açúcar, arroz e derivados da soja seguem pressionando os preços para baixo, impulsionados por oferta global elevada, bom desempenho da safra brasileira e menor apetite chinês por commodities agrícolas.

Números

  • IPP geral: -0,37%
  • Indústrias extrativas: -3,43%
  • Acumulado no ano: -4,66%
  • Acumulado em 12 meses: -3,38%
  • Atividades com queda: 12 de 24

Grandes Categorias Econômicas

  • Bens intermediários: -0,75% (impacto de -0,40 p.p.)
  • Bens de capital: -0,01%
  • Bens de consumo: +0,09%
    • Duráveis: +0,30%
    • Semiduráveis e não duráveis: +0,04%

Análise: Alívio nos custos, alerta na demanda

A leitura do IPP de novembro traz dois sinais simultâneos para o empresariado. O primeiro é positivo: a sequência de quedas indica alívio nos custos industriais, especialmente para setores intensivos em insumos básicos, como metalurgia, química, papel e alimentos. O câmbio mais apreciado – com o real acumulando alta relevante frente ao dólar – também ajuda a conter pressões de preços.

O segundo sinal é mais cauteloso. A queda prolongada dos preços, sobretudo em bens intermediários, sugere que a demanda segue fraca, tanto no mercado interno quanto externo. O recuo dos preços do minério de ferro e de commodities agrícolas aponta para um ambiente global menos dinâmico, com a China exercendo papel central nesse esfriamento.

Para o empresário industrial, o momento exige leitura fina: custos menores não significam automaticamente margens maiores, sobretudo se o volume de vendas não reagir. Estratégias de eficiência, renegociação com fornecedores e foco em produtos de maior valor agregado ganham ainda mais importância em um cenário onde o preço deixa de ser um aliado automático da rentabilidade.

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