Pesquisa mostra que 74% das empresas investiram em equipamentos novos, mas apenas 5% direcionaram recursos para tecnologias ligadas à Indústria 4.0

INDÚSTRIA NEWSFONTE por INDÚSTRIA NEWS

A indústria brasileira segue investindo em máquinas e equipamentos novos, mas ainda dá os primeiros passos na modernização tecnológica do parque fabril. É o que mostra levantamento inédito divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quarta-feira (5). A Sondagem Especial nº 105 mostra que cerca de três em cada quatro (74%) empresas industriais investiram em máquinas e equipamentos novos no ano passado. Embora em 2024 o percentual tenha sido maior — 77% —, as fábricas seguem priorizando a compra de bens de capital novos. Apenas 18% delas adquiriram máquinas e equipamentos usados em 2025, ante 16% no ano anterior.

A renovação do maquinário, contudo, não é acompanhada por um avanço tecnológico significativo. Entre as empresas que investiram em máquinas e equipamentos no ano passado, 72% delas visavam, principalmente, a mecanização, enquanto 9% tinham a robotização como alvo. Somente 5% das indústrias direcionaram seus investimentos para automatizar a produção, a Felipepartir de máquinas conectadas em rede, com capacidade de transmissão e processamento autônomo de dados.

“Os investimentos em máquinas e equipamentos que têm conexão com a internet, processamento em nuvens, etc. continuam tímidos. A maior parte dos investimentos continua sendo para mecanizar a produção, mas isso não quer dizer que as empresas não busquem ganhos de produtividade. Mesmo na mecanização, uma empresa pode ganhar produtividade, ao incorporar máquinas e equipamentos mais eficientes ao processo produtivo”, avalia Rafael Sales, especialista em Políticas e Indústria da CNI.

Incertezas econômicas travam investimentos

O levantamento também mostra que a imprevisibilidade do ambiente macroeconômico segue como a principal restrição às decisões de investimento da indústria brasileira. Seis em cada dez empresas (61%) que compraram máquinas e equipamentos novos no último ano apontaram as incertezas econômicas como o maior obstáculo para os investimentos.

Na sequência do ranking de principais entraves aos investimentos em bens de capital aparecem a queda das receitas das empresas (47%) e os entraves tributários (47%). Fecham a lista dos cinco maiores obstáculos as incertezas relativas à cada setor (46%) e a falta de mão de obra (43%).

Entre as empresas que adquiriram maquinário usado, as incertezas econômicas também foram o principal obstáculo: 66% delas apontaram a imprevisibilidade macroeconômica. A queda das receitas foi o segundo maior entrave (55%) mencionado, seguida por entraves tributários e incertezas setoriais, ambas com 53% das assinalações. O aumento dos custos dos insumos, citado por 52% dos empresários, também tem atrapalhado o investimento em máquinas e equipamentos usados.

De acordo com a pesquisa, as empresas, em geral, não têm uma preferência quanto à origem da principal máquina ou equipamento adquirido. Em 2024, 48% do maquinário comprado veio do exterior, enquanto 47% foi fabricado nacionalmente. No ano seguinte, os percentuais se inverteram: 48% das máquinas e equipamentos eram nacionais, enquanto 47% vieram de fora.

Grandes empresas preferem maquinário novo

O perfil de investimento em máquinas e equipamentos mostra diferenças entre os portes de empresas. Segunda a pesquisa, 78% das grandes indústrias investiram em máquinas e equipamentos novos no ano passado, número que cai para 72% entre as médias e 66% entre as pequenas.

As empresas de grande porte também estão em estágio mais avançado quanto à adoção de tecnologias da Indústria 4.0. Entre as que investiram em máquinas e equipamentos em 2025, 7% visavam automatizar o processo produtivo. Nas médias e nas pequenas, apenas 4% e 2% tinham esse objetivo.

Em relação à origem do maquinário, as grandes empresas foram as únicas a preferir o importado em relação ao nacional no ano passado.

Nacionalidade das máquinas e equipamentos por porte de empresas:

  • Grandes indústrias: 56% estrangeiro; 40% nacional;
  • Médias indústrias: 52% nacional; 44% estrangeiro;
  • Pequenas indústrias: 60% nacional; 32% estrangeiro.

“É preciso pensar em políticas industriais que ajudem as pequenas empresas a acessar crédito e tecnologias avançadas mais facilmente, acelerando o desenvolvimento produtivo. Em relação às grandes empresas, que estão mais maduras, é necessário prepará-las para competir internacionalmente. Dessa forma, é possível incentivar de forma precisa todas as etapas da cadeia”, aponta o economista.

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