A Câmara dos Deputados aprovou, na última semana, o fim da jornada 6×1 numa nítida demonstração de pragmatismo eleitoral e proposta seguiu para o Senado. Tendência é que trabalho braçal pra regular a mudança fique com as mesas de negociação entre patrões e empregados

Pedro Ivo Bernardes FONTE: DP

A semana foi dominada pelos últimos capítulos da novela do fim da escala 6×1. E, para a surpresa de “zero pessoas”, a redução da jornada de trabalho semanal foi aprovada de forma quase unânime na Câmara dos Deputados. Foram 472 votos a favor no primeiro turno e 461 no segundo. Em ambas as rodadas, as ausências superaram os votos contrários. É o que se chama de pragmatismo político, evidenciado em ano eleitoral.

A proposta de emenda constitucional que estabelece a escala de trabalho 5×2 e a jornada semanal de 40 horas segue agora para avaliação dos senadores e, a despeito do clamor da classe empresarial, também deve ser aprovada sem maiores dificuldades. Após aprovada no Senado e promulgada, a escala 5×2 passa a vigorar, mas a jornada de 40 horas semanais terá uma transição de 14 meses para ser implantada.

No Legislativo, apesar de longa, a tramitação chegou ao meio termo. Nem a escala 4×3 da proposta original, nem a manutenção da 6×1. No entanto, o verdadeiro desafio ficou para as mesas de negociação coletiva: a compensação de horas sem o pagamento de extras durante a transição. Como de praxe, o Congresso faz a política e joga para empresários e trabalhadores a tarefa de equalizar a regra.

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