O Senai Futuro vai oferecer cursos, laboratórios que poderão ser usados, grupos de discussão para estimular a inovação e novas tecnologias dentro das fábricas

Ângela Fernanda Belfort

De Recife
angela.belfort@movimentoeconomico.com.br

FONTE: ME

Presidente da Fiepe, Bruno Veloso, fala da necessidade da indústria incorporar novas tecnologias no lançamento do Senai Futuro. Foto:Sistema Fiepe/Divulgação

Capacitar lideranças – inclusive com cursos de curtas duração adaptados ao dia a dia das empresas -, trazer novas tecnologias para os mais diversos setores da indústria – chegando até o chão da fábrica – e consolidar um espaço de discussão de como incorporar novas tecnologias são os pilares da nova unidade de negócios do Senai Pernambuco: o Senai Futuro, lançado nesta quinta-feira (06), na sede da instituição, em Santo Amaro. O grande desafio proposto pela instituição é capacitar as pessoas para que a indústria se torne mais competitiva e produtiva. A iniciativa traz uma mudança de paradigma que pode levar as indústrias pernambucanas – concentradas em pequenas e médias – a investirem em novas tecnologias e processos de inovação que serão, cada vez mais necessários, a sobrevivência dos negócios.

“Este momento representa um novo passo na trajetória do Senai Pernambuco. A indústria está sempre evoluindo, mas o que define a competitividade não é apenas a tecnologia disponível. É a capacidade de utilizá-la com inteligência, agilidade e visão estratégica. A inteligência artificial, a automação, a robótica, a digitalização dos  processos, a transição energética e a análise de dados estão mudando a forma como a indústria produz, decide e compete”, disse Bruno Veloso, na abertura do evento. Neste cenário do futuro, ele destacou que a diferença vai ocorrer pelo conhecimento dos profissionais que fazem a indústria.

A diretora regional do Senai-PE, Camila Barreto, disse que as competências necessárias à indústria estão mudando rapidamente. E complementou: “A inovação não é mais uma opção. As empresas precisam de formação contínua. E o futuro vai exigir colaboração. A indústria não quer só cursos, precisa também de conexão e antecipação”. A nova unidade vai contar com espaços já consolidados da instituição, como o Aratu Lab, em Santo Amaro, e o Senai Park, em Suape, além de realizar parcerias com indústrias, universidades, institutos federais e empresas de tecnologia.

A diretora regional do Senai-PE, Camila Barreto, afirma que inovar deixou de ser uma opção. Foto: Sistema Fiepe/Divulgação

Senai Futuro e o conhecimento

O gestor do Senai Futuro, Felipe Furtado, afirmou que a nova unidade é um lugar que vai disseminar o conhecimento de várias maneiras com cursos, palestras de especialistas, eventos, network, apresentação de cases e até a formação de uma comunidade no Whats App que vai discutir semanalmente sobre tecnologias e ferramentas que estão impactando a indústria. “A indústria quer entender melhor quais são as tendências. Iniciamos o Senai Futuro de olho em 17 tendências tecnológicas e cada uma delas terá um relatório executivo que será usado nas discussões”, afirmou o gestor. As discussões estarão presentes em grupos de Whats App que terão conteúdos diariamente, divulgando pesquisas que ajudem a entender o tema. O primeiro grupo de Whats App será sobre IA.

Ele argumentou também que estas discussões também vão ajudar aos gestores focarem os seus investimentos em tecnologia em ferramentaas que realmente façam a diferença para a indústria. “Queremos colocar a mão na massa e criar trilhas de aprendizados que cheguem aos vários setores da indústria”, comentou.

A partir de outubro, o Senai Futuro vai oferecer três cursos a partir. O primeiro será o de Integração de Sistemas Industriais com IA que terá uma carga horária de 36 horas. A capacitação será presencial e com foco prático numa planta da indústria 4.0. Serão disponibilizadas 20 vagas, destinadas a coordenadores de manutenção, engenheiros de produção, técnicos industriais e gestores que buscam aplicar conceitos de Indústria 4.0 e Inteligência Artificial em seus processos. O curso será nos Laboratórios da Indústria 4.0 e Aratu Lab, no Senai Santo Amaro.

O segundo curso será sobre a Indústria Inteligente e o terceiro vai abordar usos práticos e efetivos da IA na indústria. Ambos terão uma carga horária de 24 horas. As aulas serão oferecidas nas sextas-feiras e aos sábados. As inscrições serão feitas no site do Senai Futuro.

Professor da IT Universidade de Copenhague, Claus Brabrand, fala que a revisão humana – com o conhecimento sobre o assunto – continuará sendo importante para validar as entregas da IA. Foto: Sistema Fiepe/Divulgação

Desafios e Oportunidades da IA para o futuro

O lançamento do Senai Futuro contou com uma palestra do especialista em tecnologia Claus Brabrand, da IT Universidade de Copenhague, que abordou o tema: “Os desafios e as oportunidades da IA para o futuro”. Para ele, os empresários tem que empoderar os seus funcionários, fazendo com que eles aprendam a usar as nova ferramentas de IA.

Brabrand também fez um alerta sobre o impacto da IA na produtividade. Ele diz que ainda há poucas evidências científicas sobre os impactos da IA no trabalho e que as pessoas têm que diferenciar a opinião de evidências. O pesquisador mostrou relatos divergentes do impacto da produtividade usando a IA, que variaram de 10% a mais de produtividade, chegando a uma redução de até 16% do desempenho. Para ele, os efeitos dependem muito do contexto, da forma como a tecnologia é utilizada e como a produtividade é medida.

O especialista explicou que a IA atual, como o ChatGPT, é reativa: recebe uma solicitação, responde e aguarda um novo comando. Já a IA proativa funciona de forma contínua, observando o ambiente, tomando decisões, executando tarefas, avaliando resultados e aprendendo com eles. Nos dois modelos, o especialista ressaltou que a supervisão humana e o conhecimento – também humano – sobre o que está sendo analisado são essenciais para validar o resultado entregue pela IA.

Ao abordar a colaboração entre humanos e IA, o professor afirma que a inteligência artificial é mais eficiente na produção de soluções, mas continua dependendo da capacidade humana de definir corretamente os prompts, comandos solicitados a IA. Por isso, destaca a importância de formular instruções claras (prompts), evitar ambiguidades e ir construindo os prompts por etapas.

Resumidamente, Brabrand afirmou que as pessoas precisam aprender três competências operacionais para usar a IA: formular um prompt claro, sem ambiguidade, com um guia (orientação) específica; revisar e avaliar criticamente o que a IA entregou e ter competência de orquestrar a colaboração entre a IA e o ser humano. “A pessoa tem que ser capaz de fazer o que está sendo pedido para julgar e avaliar o se o que a IA fez está certo ou errado”, comentou, acrescentando que também é preciso entender o que a IA faz bem e faz mal, quando é adequado usar a IA, utilizando também a ética.

Ele argumentou que “não é só aumentar a produtividade, mas aumentar a qualidade”. E acrescentou: “Se é dono de uma empresa, automotizar tudo não será o futuro. Precisa monitorar o que está acontecendo”, dando a entender que essa tarefa passa também pelo conhecimento humano para ser realizada com a complexidade que merece.

Ainda na palestra, Brasbrand citou alguns exemplos, ao longo da história, que erraram nas suas previsões. Segundo ele, a capacidade de adaptação será mais importante do que tentar antecipar como será o futuro da IA, vai exigir aprendizado constante do uso da ferramenta, adaptando os seus processos à medida que a tecnologia evolui.

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