aos EUA, equivalentes a US$ 7,4 bilhões

Da Redação ME / FONTE: ME
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A tarifa adicional de 25% imposta pelo governo de Donald Trump sobre parte dos produtos brasileiros entra em vigor nesta quarta-feira (22). A cobrança será somada às alíquotas que já incidem sobre as mercadorias na entrada dos Estados Unidos. Assim, um produto que atualmente paga 5%, por exemplo, passará a ser taxado em 30%.
A medida foi adotada após a conclusão da investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana. O governo brasileiro não conseguiu fechar um acordo que impedisse a aplicação da sobretaxa.
Apesar da ampliação da lista de exceções, que retirou mais de 2,1 mil produtos da nova cobrança, a estimativa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços é de que a tarifa alcance aproximadamente 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos, equivalentes a US$ 7,4 bilhões, considerando os embarques de 2024.
Peazos limitados no Agro
Para Ieda Queiroz, advogada societária e coordenadora da área de Agronegócios do CSA Advogados, as empresas brasileiras do agronegócio com contratos de exportação, fornecimento, armazenagem, transporte e financiamento atrelados aos Estados Unidos estão sem prazo para revisar cláusulas contratuais de preço, prazo de entrega e força maior. Segundo a advogada, as empresas estão correndo o risco de assumir sozinhas o custo extra da medida.
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“As tarifas exigem atenção redobrada na gestão dos contratos. A adequada alocação de riscos passa a ser determinante para preservar a viabilidade das operações em um ambiente internacional mais volátil”, afirma Ieda Queiroz. Para a advogada, o setor precisa agir rapidamente em cinco frentes contratuais: cláusulas de preço, para incorporar o custo adicional da tarifa sem inviabilizar a operação; volumes e prazos de entrega, especialmente em contratos já fechados antes de 22/07; mecanismos de recomposição do equilíbrio econômico, para redistribuir o impacto entre as partes; dispositivos de hardship e força maior, testando se cobrem um aumento tarifário desta natureza; e cláusulas de alteração superveniente das circunstâncias, que podem justificar renegociação mesmo em contratos já assinados.
A urgência é maior para cadeias diretamente atingidas, como carne bovina, algodão e celulose. Mesmo com a exclusão de itens estratégicos — carne bovina in natura, café, petróleo bruto, celulose e aeronaves civis — Ieda avalia que os efeitos sobre o setor são amplos, com tendência de redirecionamento de fluxos comerciais, aumento da oferta em outros mercados e maior volatilidade na formação de preços das commodities.
Produtos afetados
Um levantamento sobre a pauta de 2025 mostra que máquinas e equipamentos formam o segmento mais exposto no país, com US$ 3,3 bilhões exportados aos Estados Unidos. Em seguida aparecem madeira e móveis, com US$ 1,3 bilhão, e borracha e pneus, com US$ 600 milhões.
Sebo e gorduras, alimentos e proteínas e o setor de açúcar e etanol aparecem com US$ 500 milhões cada. Pedras e granito somam US$ 300 milhões, enquanto calçados e vestuário representam US$ 200 milhões. Outros itens expostos totalizam US$ 2,4 bilhões.
As mercadorias que já tiverem deixado o Brasil com destino ao mercado norte-americano antes de 22 de julho não serão alcançadas pela nova tarifa. A relação de exceções inclui carne bovina, café, manga, castanha de caju, lagosta, mel orgânico, sucos, diversos minerais, fertilizantes, medicamentos, aeronaves e parte dos equipamentos industriais.
Nordeste tem impactos concentrados por estado
No Nordeste, os principais efeitos deverão recair sobre açúcar, etanol, calçados, vestuário, pedras ornamentais, pneus, celulose e produtos químicos. Frutas importantes para a economia regional, como manga, além de castanha de caju, lagosta e mel orgânico, foram preservadas pela lista final de isenções.
Aqui está a tabela unificada com os dados dos dois gráficos sobre os setores mais expostos a novas tarifas dos EUA (2025):
Setores Mais Expostos a Novas Tarifas dos EUA (2025)
| Setor | Valor Exportado (US$ bilhões) | % da Pauta Exportadora |
| Máquinas e equipamentos | 3,3 | 8,8% |
| Madeira e móveis | 1,3 | 3,4% |
| Borracha e pneus | 0,6 | 1,5% |
| Sebo e gorduras | 0,5 | 1,3% |
| Alimentos e proteínas | 0,5 | 1,3% |
| Açúcar e etanol | 0,5 | 1,2% |
| Pedras e granito | 0,3 | 0,7% |
| Calçados e vestuário | 0,2 | 0,6% |
| Demais itens expostos | 2,4 | 6,3% |
O setor sucroenergético está entre os mais vulneráveis. Pernambuco e Alagoas concentram parte relevante do etanol brasileiro vendido aos Estados Unidos. O país exporta anualmente entre 250 mil e 350 mil metros cúbicos do combustível ao mercado norte-americano, fluxo que poderá ser praticamente interrompido com a cobrança adicional.
No açúcar, as usinas do Norte e Nordeste possuem uma cota anual de aproximadamente 150 mil toneladas destinada aos Estados Unidos. A venda continuará sendo economicamente atrativa, mas a tarifa reduzirá a rentabilidade proporcionada pelo mercado americano, onde os preços são superiores aos praticados internacionalmente.
Em Pernambuco, a Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe) calcula que a cobrança pode atingir até 70% das exportações estaduais ainda sujeitas à medida. Além do açúcar e do etanol, a entidade aponta riscos para uvas e outros produtos agrícolas não incluídos nas exceções, além de itens industriais e produtos destinados ao mercado pet.
No Ceará, a maior preocupação está na indústria de calçados, cadeia intensiva em mão de obra e com elevada participação do mercado norte-americano. Nos quatro primeiros meses de 2026, o estado exportou 10,68 milhões de pares, com receita de US$ 53,44 milhões. As vendas já acumulavam queda de 21,4% em volume e de 27,3% em valor antes da entrada em vigor da tarifa.
A Bahia deverá ter cerca de US$ 273,1 milhões em exportações diretamente alcançadas pela nova cobrança. De acordo com a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), papel e celulose, borracha e plástico — especialmente pneus — e produtos químicos representam quase 90% desse valor.
A entrada em vigor do tarifaço aumenta a pressão sobre setores que já vinham enfrentando redução nas vendas ao mercado norte-americano. Dados da Confederação Nacional da Indústria mostram que 20 dos 27 estados brasileiros registraram queda nas exportações aos Estados Unidos no início de 2026. A entidade alerta para perda de competitividade, cancelamento de contratos, redução da produção e possíveis efeitos sobre empregos e investimentos.