Bruno Veloso vê crédito de R$ 30 bi como alívio pontual para tarifaço e cobra diálogo com EUA para solução definitiva

Allan Petterson

De Recife / FONTE: ME

Presidenta da FIEPE, Bruno Veloso, fala sobre pacote de medidas para mitigar tarifaço.
“É uma linha de crédito que é aquém da necessidade da indústria”, declara presidente da Fiepe. Foto: Sistema Fiepe

O pacote “Brasil Soberano”, anunciado nesta quarta-feira (13) pelo governo federal, chega como resposta ao tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos sobre exportações brasileiras, mas não garante a sobrevivência da indústria a longo prazo. Essa é a avaliação de Bruno Veloso, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), para quem o valor destinado às empresas é insuficiente diante da dimensão das perdas previstas.

A medida provisória prevê R$ 30 bilhões em linhas de crédito emergenciais, com prioridade para pequenas empresas e produtos perecíveis, como as frutas vindas do Vale do São Francisco. Apesar de considerar a ação positiva, Veloso afirma que a ajuda é limitada.

“Essa é uma linha de crédito que é aquém da necessidade da indústria. O valor do crédito estipulado pelo governo representa somente 28% do que é exportados para os EUA, deixando alguns empresários de fora”, aponta. 

O presidente da Fiepe também vê riscos na estratégia de compra governamental de alimentos perecíveis. Ele cita o exemplo da manga, que sozinha representa 2.500 contêineres. Segundo Veloso, o armazenamento refrigerado e o tratamento fitossanitário exigidos para a manutenção da fruta durante o processo de exportação elevam os custos, que podem acabar sendo repassados ao consumidor interno.

Busca por novos mercados

Segundo Veloso, a busca por novos mercados é importante diante do tarifaço, mas difícil de concretizar no curto prazo, já que a realocação de cargas como mangas e açúcar exige negociações complexas e condições comerciais competitivas. Para ele, a solução mais eficaz é abrir um canal direto de diálogo entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos para reverter ou reduzir a taxação.

“Vamos monitorar os indicadores de emprego e exportações junto ao governo estadual, mas é preciso entender que este pacote é um paliativo. Sem uma solução diplomática, não haverá sustentabilidade para toda a cadeia industrial”, afirma Veloso.

Medidas dão fôlego à indústria, diz CNI

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, avaliou de forma positiva o pacote de medidas do governo federal para mitigar os impactos do tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos aos exportadores brasileiros. Segundo ele, a iniciativa contempla diversas demandas apresentadas por indústrias, federações e associações setoriais, além de reunir dois pontos essenciais: manter a negociação como prioridade e adotar novas ações, caso necessário.

Presente à solenidade de lançamento do Plano Brasil Soberano, nesta quarta-feira (13), no Palácio do Planalto, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de ministros, Alban destacou que as medidas oferecem um alívio imediato para a indústria nacional.

“Não queremos apenas respirar, mas avançar. O plano representa, neste primeiro momento, a abertura de mercado e o compromisso de manter o diálogo e buscar soluções”, afirmou.

Ele reforçou ainda a importância de ampliar ao máximo novos acordos bilaterais e negociações no âmbito do Mercosul, sobretudo com a União Europeia. “Seguiremos debatendo tecnicamente e comercialmente, em busca do que é melhor para a nossa indústria, para o nosso mercado e para a sociedade”, concluiu.

Tarifaço e a MP “Brasil Soberano”

A Medida Provisória editada pelo governo federal libera R$ 30 bilhões em crédito extraordinário, recurso que não entra no limite do arcabouço fiscal e é utilizado em situações emergenciais.

O plano prioriza pequenas e médias empresas, além de setores que exportam alimentos perecíveis e máquinas, buscando evitar demissões e perdas imediatas. O pacote também prevê a diversificação de mercados, com o governo encaminhando a outros países a lista de empresas que vendiam para os EUA.

Segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as grandes empresas têm maior capacidade de resistir ao tarifaço, enquanto as menores precisam de apoio urgente. A intenção, disse, é garantir que “ninguém ficará desamparado pela taxação do presidente Trump”.

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